Às vezes me pergunto com uma estranha angustia:
Quem sou eu que sofro tanto nesta vida?
Se lutei e luto com muita astucia,
É por que busco essa ilusão que vai sumida.
O amor existe. isso é um fato incontestável,
No entanto, se me foge uma certeza,
Porque me traz essa dor tão incurável,
Que não permite que eu veja a beleza.
Tenho visto com saudade o meu passado,
Tentando ver exatamente o que aprendi,
Se tenho sofrido todo o mal que já sofri,
Por que na escola então fui reprovado.
O destino com sua graça e piadelas,
De sacanagem faz-me rir da desgraceira,
Qual a maldita dama branca zombeteira,
Que outro poeta descreveu quem era ela.
Se não houver depois de tudo outra vida,
Que mentira tantas cousas que deixei,
Dos amores que a contragosto eu expurguei,
Para ser salvo lá no céu de aparecida.
Como saber se não voltaram pra contar,
Nenhum defunto, espirito ruim, alma penada,
Nem os demônios que me perturbam de madrugada,
Têm o bom senso de com calma me explicar.
Acho que aos poucos estou enlouquecendo,
E a poesia me despreza e abandona,
Que sonho em encontrar... me socorrendo.
Gilberto Magalhães
20/04/2012
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