Não tenho culpa! Não sei amar.
Mesmo que tente, é derradeiro, deprimente.
Sou ignorante do aprendizado; mas choro!
Esta complexa efusão romântica não sei o porquê...
Mas, não penetra este escudo.
O que seria o amor se não utopia?
Talvez uma música de lembrança,
Ou a areia da praia; um futuro.
Sim, sim... Um futuro incerto
Uma estranha sensação de inépcia.
Não tenho culpa se não sei amar!
Levei mais de vinte anos, mas descobri.
Essa deficiência de sentimento ira seguir-me,
E, no final, terei feito muitos olhos chorarem.
Peço a Deus! Creio que vá perdoar-me,
Não sou culpado. Foi falha na geração
Dest’alma tão impensável que...
Por ironia da oração, ama torto.
Ama sem fé ao próximo,
Ou desama por impulso básico
Da necessidade humana de amar...
Mas, de amar a si próprio.
Não tenho culpa, não sei amar!!!
Isso não quer dizer que não ame,
Isso não quer dizer que não ame,
Mas não esse amor cor de rosa,
Não esse amor das novelas insolentes,
Ou perseguido de flores
Que não resistem ao outono
Não, não! Não esse amor que não conhece,
O prazer aquecido do inverno mais árduo,
Nem o sórdido amor florido, pois sei;
Que as flores enfeitam o jardim
Mas vivem solitárias a espera da maldita abelha
A usurpar o néctar,
Depois abandoná-las para murchar.
É um amor firme, natura, que necessita,
O amor real que nada oferece,
Nada além de si mesmo em tons pérfidos,
Um amor de diamante, Que se esconde.
Que leva milênios para ser formado,
Que pouco brilha ao ser descoberto,
Que necessita ser lapidado,
Mas... Que reflete em troca a luz recebida,
Num brilho único, e precioso, sem par.
Que instiga a inveja,
Que por fim só vale trancado,
Com seu próprio preciosismo,
No abandono da vitrine
Na mentira que o quebra,
No amor de quem não sabe amar...
... no desamor!!!
Gilberto Magalhães
2005