quarta-feira, 28 de março de 2012

BOAVENTURA

Bem aventurados os que vencem,
De tudo que o mundo oferece,
Covardes, são os que temem,
E pecados pagam-se em preces.

Não há desejo empatado,
Há talvez sentimento perdido,
O peito se encolhe... Coitado!
De tanto se ver impelido.

A tentação da carne é maldita,
Porem há também sentimento.
Resmungo de Deus a desdita,
Que tanto me traz sofrimento.

Amor? Que utopia mais profana!!!
Quem ama; se perde em agonia.
À vida de quem tanto ama...
...Só resta a poesia.

Gilberto Magalhães
Out/08

DIAS QUENTES

Tenho ficado desconcentrado,
Viajando em pensamentos derradeiros,
Sonho sim; às vezes acordado,
E esses são os piores pesadelos.

A vida me consome em dias quentes,
Não sei por que tanta ansiedade,
Aperto firme os lábios entre os dentes
Indignado com tantas maldades.

O peito às vezes dispara insano,
Falta de álcool. Sei lá o motivo,
Sinto-me na cruz do amor mundano,
Me esforço, não perco o juízo.

Em dias assim o tempo não passa,
O tic-tac é angustiante
A rima torna-se tal joia rara,
Parece que sempre é o mesmo instante.

Gilberto Magalhães
Dez/05

sexta-feira, 23 de março de 2012

O tempo cura dores e amores.
(Gilberto Magalhães) 

PIADINHA DE AMOR

Não sei o que devo dizer em desenganos
Não quero que me espere toda vida,
Talvez por uns cinquenta anos
Ou até quando for sua medida.
As canções que me oferece, eu as guardo,
E balbucio alguns versos distraído
As mudanças que me atingem. Não retardo.
Deixam-me bem menos iludido.

Sem gracinhas, a verdade me atinge,
Debalde já nem luta o coração,
Esse amor que me oferece o peito cinge,
Não pode ser somente atração,
Quando louco à noite suor e sonho,
Os meus delírios te ofereço com ternura,
Não sei do sentimento o seu tamanho,
E onde está o senso de loucura.

Essa angustia que hoje a inquieta,
É normal quando vem grande mudança,
Um misto de medo e confiança,
Tentando descobrir a hora certa.
Os amores de nós dois já se fundiram,
Não há mais como; é uma certeza,
Nossos lábios e os corpos se uniram,
Na perfeita ação de amor da natureza.

Gilberto Magalhães

quinta-feira, 22 de março de 2012

QUE SE RECORDEM DO AMANTE!!!

Ainda posso fazer versos, sem guardar a alegria,
Não sei por quanto tempo Deus me preservará,
Não sou dono da verdade, nem me julgo a revelia,
Do que o futuro me prometerá
Meu sentimento guardado aqui dentro de meu peito,
Só eu mesmo tenho culpa e o carrego,
Esse coração que insiste em bater tão imperfeito,
E causar tanta dor em meus apegos.

Aprendi, e não sei se é verdade,
Que na vida o tempo cura todas as dores,
Por fim que sofro tanto com maldades,
Que eu  mesmo busquei em desamores,
Ainda tenho tempo de pedir perdão sincero,
A todos que de modo fiz chorar,
Esse peso que carrego e desespero,
Não pedi pra que me amaste, nem pra amar,

Meus olhos agora choram uma saudade estranha,
Dos olhos que sofreram meus medos e pecados,
Sei hoje que foi uma dor tamanha,
E alguns deles sempre serão acabrunhados,
Minha vida se resume inexoravelmente,
A uma mesmice que criei em tantos leitos,
Acho que não fossem meus herdeiros, lentamente,
Morreria pagando os meus defeitos.

Se um dia eu não puder mais expressar pelas palavras,
Ou a caneta me usurpar o direito de sofrer,
Se Deus,   e até mesmo os demônios que me assombram,
Deixarem-me assim sozinho a padecer,
Não se lembre de mim mundo profano
Que minha morte ou resto de vida seja desimportante,
Se não fui ou sou, bom pai, filho ou marido,
Que se recordem de mim... minhas amantes.

Gilberto Magalhães

VOAR DA BORBOLETA

Vejo de  mim, um desespero incalculável,
Qual uma partida que nunca aconteceu,
Uma dor de morte, uma ferida incurável,
Num pesadelo de quem nunca adormeceu.
Sempre vivi, vivo e viverei,
Num alerta que me prepara ao prélio,
Acho que ainda não estou muito velho,
Mas minha experiência eu sempre usarei.

No momento da partida se reparti,
Quebra-se um coração que sonhou um dia,
Sai de uma feliz e mentirosa fantasia,
E junta risos de uma vida que nunca se dividi.
Num lençol amarrotado uma tristeza
Por acreditar que o amor jamais acabaria,
Essa dor que arrebata do peito a alegria,
E de que há Deus, nos rouba a certeza.

Num espelho qual uma máquina obsoleta,
Vejo arder o tempo em pés de uma galinha,
Do sofrimento e da dor que é só minha,
Dessas rugas que mais parecem ruas estreitas,
Não voei na vida qual um albatroz,
Mas ainda busco plainar com sutileza,
Reencontrar no peito a certeza,
Qual num lindo voo azul da borboleta.

Esse sentimento cognato da vitória,
Nunca tive se não nos nascimentos,
Pois nos amores somente sofrimentos,
Poucos e muito raros momentos de vanglória.
Aqui no meu peito um riso meio tímido,
Uma leveza que ainda não se explica,
A saudade que ainda no peito implica,
E o amor que um dia será infindo.

Não busco voar num kamikaze assalto,
Ou na vontade de jamais pousar um dia,
Nas notas de uma bela melodia,
Que leva o sentimento para o alto.
Ainda sonho em plainar sobre o planalto,
Ainda que sozinho e desamado,
 Serei por amor ao povo idolatrado,
E morrerei só por amor ter me entregado.
(Gilberto Magalhães)

quinta-feira, 15 de março de 2012

ARQUIVOS E MESAS

Entre mesas, arquivos e angustias,
Trago no peito meu amor encolhido,
Afasto da mente as dúvidas,
E o coração eu deixo escondido,
Faço versos e tento esquecer,
As ilusões que são hoje perdidas,
É a fórmula para não sofrer
Esses maltratos da vida.

Os arquivos são qual meu coração,
Guardando histórias de muita gente,
As do fundo, no pó não sumirão,
Mas, o tempo torna quase indiferente.
O peito é qual mesa fria,
Que organizada não tem relevância,
Nada se faz em mesa vazia
Nem no coração sem esperança.

As salas sem gente são mudas,
Qual coração sofrendo de amor,
Sentimento de força tão bruta,
Que transforma o riso em dor,
Por fim entre eles na solidão,
Encontro-me sem outro caminho,
Da esperança de que algum coração,
Me venha ofertar um carinho.

Gilberto Magalhães.
Ago/09

OUTRO MAL D'ALMA

Estou doente, bem constipado,
O peito enfermo perde a batida,
Doença d’alma no mal conquistado
E a enfermidade tem nome de vida.
Estou sofrendo ainda de pessoas,
De todas elas e do mundo,
Do trabalho, a cura cansada,
De ser mais um vagabundo.

Estou doente do que não existe,
Do vírus do poder concupiscente,
Sofre d’alma que é triste,
E do amor que me deixa doente,
Estou sofrendo dos ventos da tristeza,
Da dor da veia que pulsa cortante,
Com o bacilo da angustia que corta a beleza,
Estou morrendo da vida inconstante.

Estou doente, muito doente.
Não tenho AIDS nem hipertensão,
Tenho o desprezo que o mundo empreende,
E que faz parar o meu coração.
Estou doente da minha insistência,
No amor tal qual, câncer espalhado,
Metástase sim, mas de impaciência,
Estou morrendo de amor e pecado.

Estou doente... Mas minhas crianças,
Um pequeno remédio que me faz respirar,
Só respiro por de elas tirar esperanças,
De um dia da vida poder me curar.

Estou doente, muito afetado,
Pela voracidade do falso poder,
Estou putrefando qual desgraçado,
Que fenece mesmo sem morrer.

‘Alma não suportou todo peso,
Clamou Deus, buscou qualquer crença,
Não conseguiu me deixar ileso,
E sua prece... Não fez diferença,
Mesmo sem alma o corpo caminha
Estou doente do vazio eterno
Deixou-me ‘alma para salvar-se sozinha,
Subiu aos céus, escorregou ao inferno

“Estou doente, muito doente...
Não tenho gripe nem H.I.V
Tenho desejo, doença ardente
Do desejo de viver.”

Gilberto Magalhães
09/01/06

NÃO SEI AMAR

Não tenho culpa! Não sei amar.
Mesmo que tente, é derradeiro, deprimente.
Sou ignorante do aprendizado; mas choro!
Esta complexa efusão romântica não sei o porquê...
Mas, não penetra este escudo.

O que seria o amor se não utopia?
Talvez uma música de lembrança,
Ou a areia da praia; um futuro.
Sim, sim... Um futuro incerto
Uma estranha sensação de inépcia.

Não tenho culpa se não sei amar!
Levei mais de vinte anos, mas descobri.
Essa deficiência de sentimento ira seguir-me,
E, no final, terei feito muitos olhos chorarem.

Peço a Deus! Creio que vá perdoar-me,
Não sou culpado. Foi falha na geração
Dest’alma tão impensável que...
Por ironia da oração, ama torto.
Ama sem fé ao próximo,
Ou desama por impulso básico
Da necessidade humana de amar...
Mas, de amar a si próprio.

Não tenho culpa, não sei amar!!!
Isso não quer dizer que não ame,
Isso não quer dizer que não ame,
Mas não esse amor cor de rosa,
Não esse amor das novelas insolentes,
Ou perseguido de flores
Que não resistem ao outono

Não, não! Não esse amor que não conhece,
O prazer aquecido do inverno mais árduo,
Nem o sórdido amor florido, pois sei;
Que as flores enfeitam o jardim
Mas vivem solitárias a espera da maldita abelha
A usurpar o néctar,
Depois abandoná-las para murchar.

É um amor firme, natura, que necessita,
O amor real que nada oferece,
Nada além de si mesmo em tons pérfidos,
Um amor de diamante, Que se esconde.
Que leva milênios para ser formado,
Que pouco brilha ao ser descoberto,
Que necessita ser lapidado,
Mas... Que reflete em troca a luz recebida,
Num brilho único, e precioso, sem par.
Que instiga a inveja,
Que por fim só vale trancado,
Com seu próprio preciosismo,
No abandono da vitrine
Na mentira que o quebra,
No amor de quem não sabe amar...
... no desamor!!!
Gilberto Magalhães
2005

TROMBETAS

Caí em pró do prazer mundano,
Vivi, pois, só em desengano,
Da esperança que tinha de renascer.
Passei do amor e o fiz esquecido,
Busquei no mundo o sonho perdido,
Não encontrei; me pus a sofrer!

Desejo ardente que ‘alma precisa,
Pra estancar a lágrima que teimosa desliza,
E dar acalanto ao meu coração,
As noites são quentes, o inverso do peito,
Que hoje só, rola no leito,
Temendo um futuro de solidão,

O frio que antes era meu aconchego,
Tornou-se um calor de tirar o sossego,
Um suor de angustia, de sofrimento,
A falta que faz o amor esmagado,
O amor do presente e amor do passado
De cor diferente. Um só sentimento.

Pessoas são, tal qual erva daninha,
Espalha no peito ganancia mesquinha,
Morro aos poucos por culpa do amor.
Quais são aos amores que nos incomodam?
Que pegam raízes d’alma e as podam,
Transformando esperança num golpe de dor?

Escondo no peito todo o meu medo,
Fazendo à verdade, inútil segredo,
Jogando com olhos que não são meus.
Brinco sem risos com sentimentos,
Sei que um dia serão sofrimentos
Peço na angustia: apiade a Deus.

Deus por sua vez, é bem ocupado,
Não tem tempo a perder com um desgraçado,
Que cavou sozinho sua sepultura,
Clamo a ele. Peço desesperado!
Apiade senhor, não sou tão culpado,
Livrai-me ó pai de tamanha loucura!!!

Ouço vozes sozinho, na madrugada,
São demônios tornando minha dor a piada,
A loucura é satã com tempo sobrando.
Deus é amor, poder compaixão,
Há de livrar-me da dor; solidão,
E trombetas de anjos eu verei soprando!!!

Gilberto Magalhães
Jan/06