Não me habituo com as maldades que encontro,
Nesse mundo de insana falsidade,
Não consigo esquivar-me da maldade,
E levo em meu peito um desencanto.
Aprendi que o derramar de um leve pranto,
Muda bruscamente o meu destino,
E as dores que carrego de menino,
Buscam na saudade um sopro de acalanto.
Os meus olhos me traem sem piedade,
Eu luto e refuto sempre, sempre em vão,
No intimo só eu sei da verdade,
E por isso sofre tanto o coração.
Deus às vezes é um ser distante,
Mesmo assim lhe entrego minha desdita,
Sei até que quem não acredita,
Acha que esse amor não é o bastante.
Toda vida que tratei em ser honesto,
No tocante aos delitos que me acusam,
Hoje sofro tanta dor e fica o resto,
Da maldade que não fiz e me imputam.
Os meus olhos inda brilham de esperança,
Minha força esgotada resiste muito enferma,
Respiro, e viso uma nova aliança,
Na esperança de que possa ser eterna.
Não sou um monstro sem nenhum sentimento,
Nem se quer capaz de ferir com intenção,
A culpa que me põe em sofrimento,
Por saber que me acusam sem razão.
Esse ludíbrio que hoje me ataca e vinga,
Uma dívida que eu fiz e sem contrato,
Não sei como pagar sem promissória,
Mas vivo um dissabor com esse fato.
Gilberto Magalhães Silva Pinto
23/05/11
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