quinta-feira, 8 de março de 2012

RIACHO SUJO

Desejei-te em noites de notória fama
Do Palor que queima a alegria insana
Em vãs saudades que teria enfim,
Do desejo triste dessa alma ardente
Enfim usurpa vendo o sol nascente,
Ascender-te insana, cá dentro de mim.

Teu calor infame já não me atinge
Do deserto sou, inabalável esfinge
Que apesar de forte, enternecido olhar.
No nascer da noite tão esquecido,
O olhar de medo já desternecido,
D’alma triste que vem machucar,

O riacho sujo que o medo cortava,
Infinito fosse, não me assustava,
Não fossem a esquerda... Malditas curvas!
Hoje tão triste vive a correr,
Tão esquecido já quase a morrer,
Ficaram águas, sujas e turvas.

Se visse então, o que faria,
Tal turbulência da noite tão fria;
Jogado ao pó, estranho ninho?
Ao mais que tudo amor queria,
Pobre ludíbrio, que fantasia
Restasse então ficar sozinho.

O bem amada a quem não acho,
A velejar tristonho em tal riacho,
Tão triste noite a lhe clamar.
Distante vou já esquecido,
Do peito já entorpecido
Das alegrias, restou chorar,

Ora! Me queira amante insana!!!
Rôngua maldita, longínqua fama!
Não aprecies a solidão.
Amor tão grande embora eu saiba
Venha a meu peito e que não caiba,
E alegre exploda, meu coração!

Alegria mórbida, tua alma inflama,
Sorriso fútil, a ti engana,
No entanto vives, prazer mundano.
Enfim alegra-te alma mundana,
Teu mísero ardor atrás de fama,
A mim só resta....
.......... O desengano!!!
03/03/2000
1:20h

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