Não sei o que devo dizer em desenganos
Não quero que me espere toda vida,
Talvez por uns cinquenta anos
Ou até quando for sua medida.
As canções que me oferece, eu as guardo,
E balbucio alguns versos distraído
As mudanças que me atingem. Não retardo.
Deixam-me bem menos iludido.
Sem gracinhas, a verdade me atinge,
Debalde já nem luta o coração,
Esse amor que me oferece o peito cinge,
Não pode ser somente atração,
Quando louco à noite suor e sonho,
Os meus delírios te ofereço com ternura,
Não sei do sentimento o seu tamanho,
E onde está o senso de loucura.
Essa angustia que hoje a inquieta,
É normal quando vem grande mudança,
Um misto de medo e confiança,
Tentando descobrir a hora certa.
Os amores de nós dois já se fundiram,
Não há mais como; é uma certeza,
Nossos lábios e os corpos se uniram,
Na perfeita ação de amor da natureza.
Gilberto Magalhães
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