sexta-feira, 9 de março de 2012

NOUTRO LADO DA PONTE

Qual um terremoto doutro lado da ponte,
Num desespero, sem razão malfadado,
Perdido do amor em infiel fronte,
De um coração que bate fraco e cansado.
Não esperei de mim nem um pouco de coragem,
Mas esse grito se afunda cá no peito,
Confundimos liberdade à libertinagem,
E isso me arrasou e pôs-me ao leito.

Queria eu criar no peito um ódio imenso,
Refutando eternamente sua companhia,
O coração de uma dor grita intenso,
E o que resta é traição e poesia...
Não ser capaz de cobrar, se eu quem berra,
Ter que travar cá no meu peito essa tristeza,
Atire-me as pedras o infeliz que nunca erra,
Eu sou assim... é da minha natureza.

O desamor que eu queria ter agora,
Poder gritar-te nomes feios sem remorso,
Mas tudo que disser será da boca para fora,
E te expurgar eu tento, mas não posso.
O dia seguinte me traz uma certeza
De que aqui mesmo se recebe o pagamento,
Se hoje sofro essa dor da impureza,
É por tudo que causei de sofrimento.

Se agora o espelho mostra-me abatido,
Numa solidão que esmaga e mancha a fronte,
É que teu gesto matou a esperança,
Qual terremoto noutro lado lá da ponte.
Ainda assim acredito na minha força.
Na historia incompleta qual me conte,
E o jardim de flores que se perde destruído,
No terremoto noutro lado lá da ponte...

Se esse amor que diz sentir for verdadeiro,
Um bom motivo para eu crer, quero que aponte,
Não vou morrer, mas far-me-ei, aventureiro,
Enfrentando o tremor, doutro lado lá da ponte.
                                                                                                                            Gilberto Magalhães 

Nenhum comentário:

Postar um comentário