Caí em pró do prazer mundano,
Vivi, pois, só em desengano,
Da esperança que tinha de renascer.
Passei do amor e o fiz esquecido,
Busquei no mundo o sonho perdido,
Não encontrei; me pus a sofrer!

Desejo ardente que ‘alma precisa,
Pra estancar a lágrima que teimosa desliza,
E dar acalanto ao meu coração,
As noites são quentes, o inverso do peito,
Que hoje só, rola no leito,
Temendo um futuro de solidão,

O frio que antes era meu aconchego,
Tornou-se um calor de tirar o sossego,
Um suor de angustia, de sofrimento,
A falta que faz o amor esmagado,
O amor do presente e amor do passado
De cor diferente. Um só sentimento.

Pessoas são, tal qual erva daninha,
Espalha no peito ganancia mesquinha,
Morro aos poucos por culpa do amor.
Quais são aos amores que nos incomodam?
Que pegam raízes d’alma e as podam,
Transformando esperança num golpe de dor?

Escondo no peito todo o meu medo,
Fazendo à verdade, inútil segredo,
Jogando com olhos que não são meus.
Brinco sem risos com sentimentos,
Sei que um dia serão sofrimentos
Peço na angustia: apiade a Deus.

Deus por sua vez, é bem ocupado,
Não tem tempo a perder com um desgraçado,
Que cavou sozinho sua sepultura,
Clamo a ele. Peço desesperado!
Apiade senhor, não sou tão culpado,
Livrai-me ó pai de tamanha loucura!!!

Ouço vozes sozinho, na madrugada,
São demônios tornando minha dor a piada,
A loucura é satã com tempo sobrando.
Deus é amor, poder compaixão,
Há de livrar-me da dor; solidão,
E trombetas de anjos eu verei soprando!!!

Gilberto Magalhães
Jan/06