Ainda posso fazer versos, sem guardar a alegria,
Não sei por quanto tempo Deus me preservará,
Não sou dono da verdade, nem me julgo a revelia,
Do que o futuro me prometerá
Meu sentimento guardado aqui dentro de meu peito,
Só eu mesmo tenho culpa e o carrego,
Esse coração que insiste em bater tão imperfeito,
E causar tanta dor em meus apegos.
Aprendi, e não sei se é verdade,
Que na vida o tempo cura todas as dores,
Por fim que sofro tanto com maldades,
Que eu mesmo busquei em desamores,
Ainda tenho tempo de pedir perdão sincero,
A todos que de modo fiz chorar,
Esse peso que carrego e desespero,
Não pedi pra que me amaste, nem pra amar,
Meus olhos agora choram uma saudade estranha,
Dos olhos que sofreram meus medos e pecados,
Sei hoje que foi uma dor tamanha,
E alguns deles sempre serão acabrunhados,
Minha vida se resume inexoravelmente,
A uma mesmice que criei em tantos leitos,
Acho que não fossem meus herdeiros, lentamente,
Morreria pagando os meus defeitos.
Se um dia eu não puder mais expressar pelas palavras,
Ou a caneta me usurpar o direito de sofrer,
Se Deus, e até mesmo os demônios que me assombram,
Deixarem-me assim sozinho a padecer,
Não se lembre de mim mundo profano
Que minha morte ou resto de vida seja desimportante,
Se não fui ou sou, bom pai, filho ou marido,
Que se recordem de mim... minhas amantes.
Gilberto Magalhães
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