Há um dedo em riste intermitente,
Apontando para mim. Para meus erros,
Só critica-se o amor se ele for existente,
Uma ferida sem cura arquivada em segredos,
Há um pressuposto de infelicidade deixado,
Qual uma erva daninha vicejando nos muros,
E se um sonho um dia por engano sonhado,
Não traz sofrimentos nem males obscuros,
Qual um covarde me ataco, sem amor nem medo,
Cada dia que existe em milhões de segundos,
Minh’arma sou eu, suicida torpedo,
Que quis abraçar os amores do mundo.
Se um dia por glória lembrar eu que o amor,
Não é o que penso, nem o que planto,
Sozinho num brado de belo tenor,
Derramo para mim o que resta de pranto.
Feliz daquele que testemunha um cometa,
Que na lembrança deixa um brilho profano,
Melhor que viver Exupéry num planeta,
Cercado de dores e desenganos.
Me aponte à destreza daquele que não erra,
Num assalto de amor, inda que seja mentira,
Qual num ferreiro que com ferro se ferra,
Ou no fogo tão forte que derrete a pira.
A ilusão passageira, não deixa raízes,
O ódio e o amor são faces de um mesmo,
Hoje eu sigo as dores a esmo,
Tentando livrar-me das cicatrizes.
Olhe bem para mim e me julgue sem defesa,
Olhe nos meus olhes e grite do fundo do peito,
COVARDE, COVARDE, COVARDE!!!!!!
E abrace a lembrança do amor mais perfeito.
Não é o tempo que dura uma historia,
Não é eterna a felicidade,
O que importa são os momentos de glória,
E tudo aquilo que deixa saudade.
Se um dia amei ou se amo me calo,
Não me rio nem debocho daquilo que encanto,
Não há mágoa nem dor... só o silêncio,
E guardado no peito o meu sopro de pranto.
Gilberto Magalhães
21/09/11
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