quarta-feira, 14 de março de 2012

ENGRENAGEM

As vezes sumo e me escondo em agonia,
Um medo absurdo me faz tremer o peito,
Nunca tinha passado só, no leito,
Uma noite inteira e mais dois dias.
Sempre debochei dessa tal depressão,
Hoje vejo que não tive sapiência,
Que é só a voz de minha consciência,
Esmagando sem amor meu coração.

Me culpo e sei que causo uma tristeza,
Não o faço de coração, por sacanagem,
Mas falta uma peça na engrenagem,
Para que eu possa aproveitar essa beleza.
Foge de mim um surto de desejo,
Com pavor de provocar-te mais maldade,
Sei que meus pecados sem piedade,
Causam a dor com a qual inda pelejo.

Nos meus retiros que faço sem aviso,
Vejo vultos de demônios zombeteiros,
Ouço vozes de espíritos conselheiros,
Forçando-me a ouvir o que não preciso.
Tenho medo de perder a sanidade,
E do teu rosto esquecer-me por inteiro,
Deixar de ser sábio aventureiro,
E viver dependente de alguma maldade.

Não peço que aceite ou entenda,
Se nem mesmo eu sei explicar.
Se um dia assa balda se acabar,
Que não deixe em seu peito uma contenda.

Pergunte a mim minha vontade!!!
Se quero te amor, tão linda e pura,
Por mais que esses meus atos de loucura,
Buscam em você a luz, felicidade.
Não te peço desculpas... seria redundante.
E acabaria outra vez em circunlóquio,
Quero seu amor qual a um ópio,
Para ser-lhe marido e não amante.
Gilberto Magalhães

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