quinta-feira, 15 de março de 2012

OUTRO MAL D'ALMA

Estou doente, bem constipado,
O peito enfermo perde a batida,
Doença d’alma no mal conquistado
E a enfermidade tem nome de vida.
Estou sofrendo ainda de pessoas,
De todas elas e do mundo,
Do trabalho, a cura cansada,
De ser mais um vagabundo.

Estou doente do que não existe,
Do vírus do poder concupiscente,
Sofre d’alma que é triste,
E do amor que me deixa doente,
Estou sofrendo dos ventos da tristeza,
Da dor da veia que pulsa cortante,
Com o bacilo da angustia que corta a beleza,
Estou morrendo da vida inconstante.

Estou doente, muito doente.
Não tenho AIDS nem hipertensão,
Tenho o desprezo que o mundo empreende,
E que faz parar o meu coração.
Estou doente da minha insistência,
No amor tal qual, câncer espalhado,
Metástase sim, mas de impaciência,
Estou morrendo de amor e pecado.

Estou doente... Mas minhas crianças,
Um pequeno remédio que me faz respirar,
Só respiro por de elas tirar esperanças,
De um dia da vida poder me curar.

Estou doente, muito afetado,
Pela voracidade do falso poder,
Estou putrefando qual desgraçado,
Que fenece mesmo sem morrer.

‘Alma não suportou todo peso,
Clamou Deus, buscou qualquer crença,
Não conseguiu me deixar ileso,
E sua prece... Não fez diferença,
Mesmo sem alma o corpo caminha
Estou doente do vazio eterno
Deixou-me ‘alma para salvar-se sozinha,
Subiu aos céus, escorregou ao inferno

“Estou doente, muito doente...
Não tenho gripe nem H.I.V
Tenho desejo, doença ardente
Do desejo de viver.”

Gilberto Magalhães
09/01/06

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